quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Abacate RTP 2011


ABACATE

O abacate, o fruto do abacateiro (Persea americana Mill.), é originário da América do Sul, mais precisamente do México, Guatemala e Antilhas, de onde derivam as mais de 500 variedades hoje existentes, o que explica a grande diversidade nele encontrada ao nível da forma, tamanho e cor. A mais antiga evidência conhecida da utilização do abacate foi descoberta numa caverna de Coxcatlán, no México, e remonta a 10.000 anos aC. Como prova igualmente de uma longa história de cultivo na América Central e do Sul, na cidade pré-inca de Chan Chan, os arqueólogos encontraram uma jarra de água com a forma de um abacate datada de 900 anos dC. Se a variedade mais remota teve origem no México, a cultura do abacateiro expandiu-se principalmente para sul do Rio Grande, muito antes da chegada dos europeus, tendo sido introduzido no Brasil nos finais do século XVI, e gradualmente para quase todo o mundo tropical e sub-tropical com condições agro-climáticas adequadas, com mais intensidade sobretudo a partir da Califórnia, já na segunda década do século passado.
À Madeira, de acordo com investigação do Tenente-coronel Alberto Sarmento, o abacate terá chegado nos princípios do século XIX, introduzido por um morgado então regressado do Brasil. Primeiro, e devido ao seu grande porte e copa frondosa, o abacateiro foi utilizado como “árvore de sombra”, e só mais tarde como fruteira. Devido à sua forma dominantemente periforme os madeirenses, desde logo, deram-lhe o nome de “pêra abacate”.
Na Ilha da Madeira o abacate adapta-se muito bem até aos 400 metros de altitude na costa Sul, e até aos 150 metros na Norte. Os concelhos com maior predomínio da cultura são os de Santana, Funchal, Santa Cruz e da Calheta, embora quase todos os madeirenses que disponham de um quintal não dispensem o seu abacateiro. É estimado que a cultura preencha uma área de cerca de 90 hectares, à qual corresponderá uma produção anual de quase 900 toneladas desta fruta. Embora exista um grande número de variedades de abacate resultantes da multiplicação por semente, as variedades com maior interesse e divulgação comercial são a “Hass” (de fruto arredondado, de epiderme rugosa, e que além de um acentuado sabor a noz fica arroxeado a quase negro quando amadurece), e a “Fuerte” (com fruto de casca lisa e em forma de pêra). A época habitual da colheita decorre de Outubro até Julho, dependendo das condições específicas dos locais das plantações, oscilando a produção de uma planta adulta entre 200 a 800 abacates por ano.
Com um valor calórico de 162 calorias por 100 gramas de fruto, a polpa de um abacate maduro, além de uma boa fonte de potássio (mais 60% do que a banana), folato e vitamina A, é rica em vitamina E, como contém quantidades razoáveis de vitaminas B6, C e E, ferro e magnésio. As vitaminas C e E, ambas antioxidantes, podem ajudar a evitar os efeitos nocivos dos radicais livres, que poderão conduzir a certos tipos de cancro. O potássio ajuda a controlar a tensão arterial, a manter o ritmo cardíaco regular e o equilíbrio do sistema nervoso. A vitamina B6 é importante para o funcionamento normal do sistema nervoso. Tal como o azeite, o abacate tem um alto teor de ácidos gordos monoinsaturados, que, pensa-se, reduzem os níveis de colesterol no sangue. Além de tudo isto, o abacate doseia mais proteínas que qualquer outra fruta, sendo utilizado em dietas vegetarianas como substituto da carne.
O abacate pode ser consumido por si só, como sobremesa ou, sempre em natureza,  em acompanhamento de pratos de carne, de peixe e de saladas, onde desempenha não propriamente um papel de fruto, mas de legume. Na Madeira, é apreciado geralmente polvilhado de açúcar ou, em alternativa, adicionado de Mel de Cana, ou ainda de Vinho da Madeira. Há também quem o coma simplesmente barrado em pão, substituindo a manteiga.
Para pratos doces, o abacate combina bem com o limão e produtos lácteos, sendo utilizado na preparação de gelados, mousses, bolos, pudins, cremes e cocktails. Em pratos salgados, vai bem com camarão e lagosta.

   
CURIOSIDADES



O nome abacate vem da palavra asteca “ahuacatl”, cuja tradução mais aceite é “fruto que tem a forma de testículo”, o que pode explicar as propriedades afrodisíacas que aquele povo atribuía ao fruto. Outros autores traduzem aquela palavra do dialecto Nauatl, por “manteiga que vem da madeira”, o que não deixa de estar igualmente apropriado à sua composição muito gordurosa.
Em países como a Argentina, Bolívia, Chile, Peru e Uruguai, o abacate é conhecido por palta. Noutros países de língua espanhola, é chamado aguacate, e também designado por “maçã de inverno”. Os ingleses, devido ao aspecto da casca de algumas variedades, chamam-no “alligator pear”.




Os melhores abacates são os mais pesados e firmes, têm polpa macia e gordurosa, com sabor característico e delicado (antes de ficar maduro, tem a polpa dura e esbranquiçada). Para saber se estão no ponto, é só fazer uma ligeira pressão com os dedos: os de casca fina cedem logo, os de casca mais grossa oferecem um pouco mais de resistência.



  
O abacate, devido à sua grande riqueza em óleos, também é muito utilizado pela indústria de cosméticos, designadamente para a produção de cremes nutritivos e hidratantes, champos, emulsão protetora hidratante, creme de limpeza, máscara refinadora, creme de mãos e unhas, sabão cremoso, leite de limpeza, entre outros.



A metade de um abacate médio, fornece 500 mg de potássio e mais de um terço da necessidade diária recomendada de folato (vitamina B9); fornece, também, 10% ou mais das necessidades diárias recomendadas de ferro, magnésio e vitaminas A, C, E e B6.  Além disso, é um poderoso bloqueador de trinta agentes cancerígenos diferentes.





A semente do abacate contém um fluído leitoso que tem um odor e sabor a amêndoas. Devido ao seu elevado teor em taninos, se exposto ao ar, aquele líquido torna-se vermelho, do qual pode ser obtida uma tinta indelével de cor vermelho-acastanhada ou negra que foi muito usada na escrita de documentos (bem preservados nos arquivos de Popayan - Colômbia) à época da colonização espanhola da América central. Esta tinta também foi usada para marcar algodão e têxteis de linho.



Depois de descascado, o abacate deve ser imediatamente consumido, porque, em contacto com o ar, a polpa oxida, escurecendo. Para evitar este fenómeno, é indicado deitar algumas gotas de limão sobre a sua superfície.

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Um dos pratos mais típicos da culinária mexicana, é o “guacamole”, um puré de abacate, que leva, entre outros ingredientes,  pedaços de tomate, cebola, coentros, malaguetas e sumo de limão.

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